Destinos · Estados Unidos

Levar seu cão ou gato do Brasil para os Estados Unidos

O destino mais procurado e o mais mal explicado. Aqui está o que as autoridades americana e brasileira realmente exigem — transcrito da norma, com a data em que conferimos cada fonte.

Gato laranja e branco em caixa de transporte rígida — preparação para viagem aos Estados Unidos.

A frase que muda tudo: o Brasil está na lista de países de alto risco para raiva canina mantida pelo CDC — a autoridade sanitária dos Estados Unidos. Conferimos essa lista na fonte em 8 de agosto de 2026 e o Brasil continua nela. Isso não é detalhe burocrático: é o que separa uma viagem de três semanas de preparo de uma viagem que precisa começar com meses de antecedência.

Se o seu cão esteve no Brasil em qualquer momento nos 6 meses anteriores à entrada nos Estados Unidos, ele entra pela regra mais rigorosa — mesmo que você e ele morem fora, mesmo que a viagem seja de volta.

Cães · lado americano

As oito exigências do CDC, sem simplificação

Valem para cães vacinados fora dos Estados Unidos que estiveram em país de alto risco nos últimos 6 meses — o caso de praticamente todo cão que sai do Brasil.

1 · Microchip antes da vacina

Microchip legível por leitor universal, implantado antes da vacina antirrábica. Se a ordem for invertida, a vacina é considerada inválida e o esquema recomeça. O número do microchip precisa constar em todos os formulários e documentos de apoio.

2 · Idade mínima de 6 meses

O cão precisa ter pelo menos 6 meses de idade na data de entrada. A primeira vacina antirrábica só é aceita a partir das 12 semanas (84 dias) de idade — e, vindo de país de alto risco, vacina aplicada antes disso não é aceita em nenhuma hipótese.

3 · Vacina com 28 dias de carência

Sendo a primeira vacina antirrábica, ela precisa ter sido aplicada ao menos 28 dias antes da entrada nos Estados Unidos.

4 · Formulário de vacinação e microchip

O Certification of Foreign Rabies Vaccination and Microchip é preenchido pelo médico-veterinário e chancelado por veterinário oficial do governo do país de origem. Vale uma única entrada, é válido por 30 dias a contar da assinatura e precisa acompanhar o cão impresso.

5 · Titulação antirrábica — ou quarentena

Sangue colhido no mínimo 30 dias após a primeira vacina válida e no mínimo 28 dias antes da entrada, enviado a laboratório aprovado pelo CDC. Resultado aprovado vale para a vida toda do cão, desde que a vacinação nunca caduque. Sem titulação válida: 28 dias de quarentena.

6 · Reserva em instalação registrada

Reserva obrigatória em instalação registrada pelo CDC — mesmo com titulação válida, porque na chegada o cão passa por exame e revacinação com vacina licenciada nos EUA. Todos os custos são do tutor.

7 · Voo direto ao aeroporto certo

O cão precisa chegar por via aérea ao aeroporto onde fica a instalação em que tem reserva, e esse aeroporto precisa ser o mesmo declarado no formulário do CDC. Voo doméstico só depois de cumpridos os serviços na instalação.

8 · Formulário do CDC e idioma

CDC Dog Import Form preenchido on-line, gratuito, um por cão, com foto recente — cães com menos de 1 ano precisam de foto tirada nos 15 dias anteriores à viagem. O recibo vale para a data de chegada declarada. Todos os documentos em inglês ou com tradução certificada.

O cão também precisa parecer saudável na chegada. Se o veterinário da instalação identificar sinal de doença, o CDC pode exigir exames ou tratamentos adicionais — e cães que chegam doentes podem ter a entrada negada.

A conta que decide o prazo

Com titulação ou com quarentena: as duas rotas possíveis

Com titulação antirrábica válida

  • Coleta de sangue no mínimo 30 dias depois da primeira vacina válida
  • Coleta no mínimo 28 dias antes da entrada nos Estados Unidos
  • Laboratório aprovado pelo CDC — outros laudos não são aceitos
  • Na chegada: exame e revacinação na instalação registrada
  • Sem quarentena
  • Resultado aprovado vale para a vida toda do cão, se a vacinação não caducar

Sem titulação

  • A reserva precisa incluir 28 dias de quarentena
  • Exame e revacinação continuam obrigatórios
  • Todos os custos de exame, revacinação e quarentena são do tutor
  • O cão fica retido no aeroporto de chegada durante todo o período
  • Nenhum voo doméstico antes do fim dos serviços
  • O prazo pode ser reduzido em situações específicas previstas pelo CDC

Na prática, é isto que faz a diferença de custo e de sofrimento entre um caso e outro. A titulação precisa ser planejada com meses de antecedência — depois que a viagem está marcada, quase nunca dá tempo.

Gatos: outro processo, muito mais simples

As exigências acima são do CDC para cães. Gatos não entram nessa régua: não precisam do formulário de importação de cães, da instalação registrada nem da quarentena de 28 dias. O caminho do gato é o do Certificado Veterinário Internacional junto ao MAPA, com uma diferença de prazo que importa: o atestado de saúde do gato vale se emitido dentro dos 10 dias anteriores ao embarque, enquanto o do cão precisa ser emitido dentro dos 5 dias.

O lado brasileiro: o CVI para os Estados Unidos é on-line

Os Estados Unidos estão entre os destinos com e-CVI — o certificado é solicitado e emitido pela internet, pelo Portal de Serviços do Governo Federal, sem necessidade de comparecer a uma unidade do VIGIAGRO. O que o MAPA exige anexar:

  • Atestado de saúde com dados completos do tutor (com endereço no Brasil), dados completos do animal, endereço completo do médico-veterinário, informação sobre a vacina antirrábica e a declaração de que o animal foi examinado e não apresenta sinais de doenças infectocontagiosas e parasitárias — e, para cães, que se encontra livre de miíase.
  • Tratamento antiparasitário interno e externo de amplo espectro, aplicado dentro dos 15 dias anteriores à emissão do certificado. Como a emissão pode levar até 48 horas e ainda atrasar por correção de documento, convém fazer o tratamento o mais próximo possível do envio, para não ter de repetir.
  • Comprovante de vacina nos termos da Resolução CFMV 844/2006: dados do proprietário, dados do animal, data de aplicação, data do reforço, nome da vacina, fabricante, validade e lote, mais data, carimbo, assinatura, endereço e telefone do veterinário.
  • Autorização assinada, com cópia do documento de identificação, quando quem solicita não é o proprietário que consta na carteira de vacinação.

Um detalhe que salva a viagem de volta: o mesmo certificado emitido eletronicamente vale 60 dias para o retorno ao Brasil, desde que a vacina antirrábica siga válida. Passados os 60 dias, ou perdido o reforço, é preciso emitir um novo CVI para voltar.

Os cinco erros que mais derrubam processos para os Estados Unidos

  1. Vacinar antes de microchipar. Inverte a ordem e invalida a vacina — é o erro mais caro, porque só aparece quando já não há tempo de refazer.
  2. Deixar a titulação para o fim. Ela exige 30 dias após a vacina e mais 28 dias até a entrada. Quem descobre isso com um mês de viagem marcada já perdeu a rota sem quarentena.
  3. Reservar voo com conexão doméstica. O itinerário precisa levar o cão direto ao aeroporto da instalação registrada.
  4. Deixar a vacina caducar no meio do processo. Reforço fora do prazo de validade é tratado como primeira vacinação, e todos os prazos recomeçam.
  5. Traduzir por conta própria. Documentos precisam estar em inglês ou com tradução certificada.
Dúvidas

O que mais nos perguntam sobre este destino

Meu cão precisa mesmo de quarentena nos Estados Unidos?

Só se ele não tiver um resultado válido de titulação antirrábica (sorologia) feito em laboratório aprovado pelo CDC. Com a titulação válida, a reserva na instalação registrada cobre exame e revacinação. Sem ela, a mesma reserva precisa incluir 28 dias de quarentena, pagos pelo tutor.

Gato também precisa do formulário do CDC e da instalação registrada?

Não. As exigências do CDC descritas nesta página valem para cães. Gatos saindo do Brasil seguem o processo do CVI junto ao MAPA, com atestado de saúde emitido dentro dos 10 dias anteriores ao embarque.

Meu cão tem 4 meses. Posso levar agora?

Não. Cães vindos de país classificado como de alto risco para raiva precisam ter no mínimo 6 meses de idade na data de entrada nos Estados Unidos. Além disso, a primeira vacina antirrábica só é aceita a partir das 12 semanas (84 dias) de idade.

O microchip pode ser colocado depois da vacina antirrábica?

Não. O microchip precisa ser implantado antes da vacina antirrábica. Se a vacina foi aplicada antes do microchip, o CDC considera essa vacinação inválida e o esquema precisa recomeçar.

Posso desembarcar em qualquer aeroporto e pegar um voo doméstico?

Não. O cão precisa chegar por via aérea ao aeroporto onde fica a instalação registrada pelo CDC em que tem reserva, e esse aeroporto precisa ser o mesmo informado no formulário do CDC. Voos domésticos só depois de cumpridos os serviços na instalação.

Cachorro de suporte emocional entra como cão de serviço?

Não. A exceção prevista para cães de serviço não alcança animais de suporte emocional, que não são considerados cães de serviço na definição usada pelas autoridades norte-americanas.

De onde vieram estas informações

Cada exigência desta página foi transcrita das fontes oficiais abaixo e conferida em 8 de agosto de 2026. Onde a norma é literal, preferimos repetir a norma a resumi-la. Regras sanitárias mudam sem aviso: na triagem do seu caso conferimos a versão vigente para a sua data de embarque.

Responsabilidade técnica: Dra. Juliana Ribeiro Felix — médica-veterinária, CRMV-PR 17284.

Esta página é informativa e não substitui a análise do seu caso. A Interpet prepara e confere a documentação; a emissão do Certificado Veterinário Internacional é ato privativo do Ministério da Agricultura e Pecuária, pelo VIGIAGRO, e nenhuma assessoria pode garantir aprovação por autoridades ou companhias aéreas.

Asa de avião acima das nuvens vista da janela — o voo longo até os Estados Unidos começa com a documentação certa.
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